Como funciona um vício em nosso cérebro? Entenda aqui

Como funciona um vício em nosso cérebro? Entenda aqui

Emoção súbita e a necessidade de elevar a fasquia para continuar a sentir o coração a palpitar. Serão todas as actividades que dão prazer potencialmente viciantes? Nos Estados Unidos, o DSM inclui actualmente o jogo compulsivo na Internet como uma perturbação digna de estudo mais aprofundado, juntamente com o sofrimento debilitante e o consumo abusivo de cafeína. Aloja a maquinaria mais sofisticada da evolução para raciocinar, ponderar riscos e controlar desejos desenfreados. Então, de que modo a compulsão e o hábito se sobrepõem à razão, às boas intenções e ao entendimento dos danos causados pela dependência? Participa num estudo no laboratório de Rita Z. Goldstein, professora de psiquiatria e neurociência, sobre o papel do centro de controlo executivo do cérebro, o córtex pré-frontal.

Medicamentos

Por exemplo, a ejaculação reproduz exatamente o efeito de administração crônica de heroína sobre as células neurais do sistema de recompensa (a área conhecida como VTA). Especificamente, a ejaculação temporariamente diminui as mesmas células produtoras de dopamina que encolhem com o uso crônico de heroína, levando a uma temporária desregulação de dopamina no sistema de recompensa central (nucleus accumbens). Descobrimos que há algumas evidências indicando que uma droga chamada Naltrexona, que bloqueia os receptores opioides, pode ajudar algumas pessoas com transtorno do jogo compulsivo.

Depressão: o que é, causas, sintomas e tem cura?

O psiquiatra Luigi Gallimberti utilizou estimulação magnética transcraniana noutros pacientes, com sucesso. A técnica está a ser actualmente testada por investigadores de todo o mundo noutros tipos de dependência. Os cientistas continuama investigar tratamentos que possam oferecer uma saída do ciclo de desejo, compulsão e abstinência que prende dezenas de milhões de pessoas. Janna Raine tornou-se dependente clínica de recuperação de heroína há duas décadas, depois de tomar analgésicos prescritos para uma lesão profissional. No ano passado, vivia num acampamento de pessoas sem-abrigo por baixo de um viaduto em Seattle. Ao unir os conhecimentos da neurociência sobre as alterações cerebrais causadas pelo vício com as técnicas terapêuticas da psicanálise, é possível oferecer uma visão mais completa e holística sobre o problema.

O Vício e o Cérebro: Entendendo as Transformações Neurológicas

Só que, sem tratamento, essa condição, que gera tanto sofrimento psíquico quanto prejuízo social, tende a se cronificar”, avisa o psicólogo Daniel Gulassa, coordenador do Programa para Transtorno de Escoriação do Pro-Amiti. “Houve um boom na procura por atendimento médico, acompanhamento psicoterápico e terapia familiar. Desde o início da pandemia até os dias de hoje, recebemos cerca de 900 e-mails, uma média de 50 por mês, com pedidos de ajuda. É um número altíssimo”, relata a psicóloga Tatiana Filomensky, coordenadora do Programa para Compradores Compulsivos do Pro-Amiti da USP. Parece bobagem, mas Laura tinha prometido a si mesma que não faria mais isso depois de perceber que passava seis horas por dia no aplicativo.

O tratamento para o vício pode ser uma jornada longa e desafiadora, mas com a ajuda certa, é possível superá-lo. Fale com um profissional de saúde para encontrar o tratamento certo para você. Essas terapias podem ajudá-lo a aprender a lidar com gatilhos e a desenvolver habilidades para lidar com situações difíceis sem recorrer a substâncias viciantes.

O que acontece com o cérebro de um viciado?

Nem a dependência química passou batida pela crise do coronavírus. Sobrou até para quem sofre de comportamentos repetitivos voltados ao próprio corpo — entre os alvos preferenciais estão as unhas, os cabelos e a pele. Um dos mais perturbadores é o que os profissionais chamam de transtorno de escoriação, que consiste em ficar se arranhando, às vezes até sangrar, e afeta aproximadamente 7,2 milhões de brasileiros. Por culpa ou vergonha, essas pessoas acabam evitando praias e piscinas e priorizam roupas com mangas compridas. Essas são três das 15 perguntas feitas pelos Comedores Compulsivos Anônimos, entidade que, por meio de um questionário disponibilizado em seu site, ajuda o internauta a ter uma ideia de que pode sofrer de compulsão alimentar.

Assim, a dependência transforma os circuitos neurais, reorganizando-os de forma a atribuir mais valor àquilo que lhe dá prazer em detrimento de outros interesses, inclusive, o ímpeto natural de proteger a própria vida. É por esse motivo que muitas pessoas se colocam em risco para saciar seus vícios. Isso torna pessoas com vício em drogas extremamente vulneráveis a recaídas.

Ele é caracterizado pela busca incontrolável por uma substância ou comportamento, mesmo que haja consequências negativas para a saúde, família, carreira ou finanças do indivíduo. Além disso, o vício pode levar a mudanças físicas no cérebro, incluindo o enfraquecimento de conexões neurais importantes e a redução do tamanho do córtex pré-frontal, uma área do cérebro responsável pela tomada de decisões, planejamento e autocontrole. A família desempenha um papel fundamental na vida de um viciado em tratamento, pois fornece apoio emocional, compreensão e incentivo. A família também pode ajudar na prevenção de recaídas, monitorando o comportamento do indivíduo e oferecendo assistência durante momentos de crise.

Esse é o motivo pelo qual a Sociedade Americana de Medicina do Vício (ASAM) redefiniu o vício como incluindo tanto substancias como comportamentos. A posição da ASAM é um reconhecimento do papel central do cérebro em dirigir o que Marc Lewis chamou de “uma rotina cerebral, uma linha de pegadas no tecido neural, que se solidificam e se tornam indeléveis” (Lewis, Memoirs of an Addicted Brain, 2011). De fato, o vício não pode se desenvolver sem uma descarga grande, mas breve, de dopamina em resposta a uma substancia ou atividade viciantes. Os mecanismos moleculares que facilitam esse processo parecem similares para todas as formas de aprendizado e geração de memória. Experiências repetidas de recompensa supranormal (como, por exemplo, assistir pornografia) se tornam associadas a um estimulo do ambiente do consumidor que as precede. A dopamina, neurotransmissor que ajuda as células nervosas a se comunicarem, também é conhecida por ser uma importante substância química no sistema de recompensa do cérebro.

Suspeitava-se que a dopamina era o neurotransmissor responsável pela ativação das regiões neurais que determinam sensações de prazer. Hoje, sabe-se que não é a dopamina que impulsiona o “gostar” de algo, mas ela tem papel fundamental nisso. RemédiosO médico pode prescrever medicamentos para lidar com a dependência e a abstinência e condições paralelas como ansiedade e depressão. A abstinênciaQuando o dependente suspende o uso da droga ou reduz seu consumo, encara sintomas físicos e psicológicos. No ranking dos jogos mais viciantes da vida real, a tal corrida de cavalos ocupa o quarto lugar.

“Quando uma pessoa joga, ocorrem mudanças neuroquímicas no cérebro que podem ser semelhantes às observadas em outros tipos de vícios, como o vício em substâncias químicas. Durante o jogo, o cérebro libera neurotransmissores como dopamina, responsável pela sensação de prazer e recompensa. Com o tempo, o cérebro pode se tornar condicionado a associar os jogos a essas sensações de prazer, levando a um ciclo vicioso de uso compulsivo”, explica. A ciência tem sido mais bem-sucedida a identificar o que corre mal no cérebro viciado do que em encontrar formas de corrigi-lo.


Publicado

em

por

Tags: