De registros caseiros ainda no período silencioso até a comercialização no ciclo pornográfico, o cinema erótico carregou estigmas e preconceitos, representações por vezes grosseiras e machistas, mas, como outros gêneros é tomado de invenção, criatividade e poder de sugestão. Em seu artigo de 1925 “As Resistências à Psicanálise”,[25][26] Freud explica que o conceito psicanalítico de energia sexual está mais alinhado com a visão platônica de eros, como expressa no Banquete, do que com o uso comum da palavra “sexo” como relacionado principalmente à atividade genital. Ele então enfrenta seus adversários por ignorar esses grandes precursores e por manchar toda a sua teoria do eros com uma tendência pansexual.
Quais as fantasias sexuais mais comuns?
Como diz Bataille, “a atividade sexual dos homens não é necessariamente erótica, mas o é cada vez que não é simplesmente animal” (1980, p. 27). A distinção entre fantasias sexuais consideradas normais e patológicas não é sempre clara e pode depender de vários fatores, incluindo o impacto que essas fantasias têm na vida diária, no bem-estar emocional e nas relações pessoais. A linha entre fantasias sexuais consideradas normais e patológicas pode ser subjetiva e variar de pessoa para pessoa. Se alguém tem dúvidas ou preocupações sobre as suas fantasias sexuais, deve procurar orientação profissional com um terapeuta sexual ou um profissional de saúde mental, podendo ser uma abordagem útil para obter suporte e compreensão, uma vez que se pode tratar de uma questão bastante complexa.
O erotismo e o amor
Reich abordou o erótico em relação à liberação emocional e corporal por meio da via científica e psicanalítica; em “A Função do Orgasmo”, ele fala sobre a importância do orgasmo na saúde psicológica e física. Reich acreditava que a repressão sexual estava ligada a distúrbios psíquicos e sociais. Conversar sobre desejos, limites e expectativas é fundamental para garantir que ambas as partes estejam confortáveis e consensuais nas suas explorações. Mas algumas pessoas podem escolher manter as suas fantasias como parte da sua vida imaginativa e não desejam realizá-las fisicamente. O importante é que todos os envolvidos estejam alinhados em termos de consentimento, comunicação e respeito. No entanto, algumas pesquisas indicam tendências gerais em relação às fantasias mais comuns relatadas por homens e mulheres.
Ou seja, o homem domesticado, reduzido ao racional e ao razoável está privado da visão do homem integral que a humanidade pretendia ter (Idem, p. 148). É pelo trabalho que a consciência clara e distinta dos objetos é dada e a ciência sempre permaneceu aliada ao desenvolvimento técnico. Já a exuberância sexual afasta o homem da consciência, uma vez que uma sexualidade livremente transbordante diminui a capacidade para o trabalho, tal como um trabalho prolongado diminui o apetite sexual. A morte é também juventude do mundo, ela assegura incessantemente rejuvenescimento sem o qual a vida declinaria, porque a vida é um criar e um destruir – ela não cessa de gerar, assim como também não cessa de destruir o que gera.
O conceito de autoerotismo é retomado por Freud a partir de Havelock Ellis, que o introduziu no vocabulário científico em 1898. Mas, Havelock Ellis queria dizer com isso que uma excitação surge dentro do próprio corpo e não é provocada por fora. Desenvolver o imaginário sexual pode ser uma maneira interessante de enriquecer a vida sexual, desde que seja feito de forma consensual, respeitosa e dentro dos limites de conforto de todos os envolvidos. Alguns pensadores entendem o erotismo como um instinto, da mesma maneira que Freud manifestou a distinção entre Eros e Tánatos, que equivale ao amor e à morte, dois impulsos presentes de maneira constante no ser humano. No quadro de Goya “A maja nua” ou em “As três Graças” de Rubens, a nudez do corpo feminino se apresenta como uma exaltação de paixão erótica. No Renascentismo e no barroco a poesia erótica atinge o seu último momento de esplendor, pois nos séculos seguintes perdeu a sua especificidade como gênero distinto da poesia amorosa.
O erotismo pode ser encontrado na literatura, na pintura, na música e no cinema, sendo uma forma de explorar a intimidade e a conexão entre os indivíduos. Por esse viés, partindo do pressuposto de que o material clínico da psicanálise é a produção do sujeito, entendemos que a literatura erótica feminina contemporânea, seja enquanto escrita de si, seja enquanto escrita de um outro, permite à escritora traduzir em palavras algo da ordem de um tracejar próprio de afetos, sensações e fantasias. Nesse conseguinte, a partir da perda do pudor e ao aceitar o desafio do desconhecido, o feminino “emerge na literatura como travessia de si mesmo, paixão, morte e ressurreição” (NERI, 2005, p. 231). Assim, o feminino se inscreve como obra e criação, como se torna possível perceber na leitura de Cinquenta tons de cinza e seus afluentes. Pesquisadoras como Francklin (2015) e Araújo e Lima (2021) apontam como diferencial dessa literatura erótica contemporânea uma fórmula que se repete constantemente com poucas modificações. Essa fórmula consiste na trama Xvideos relacional de uma menina inocente, com pouca ou nenhuma experiência sexual, que conhece um CEO (Chief Executive Officer) ou um homem poderoso e multimilionário que apresenta a ela um mundo de sexo e prazer, fazendo-a conhecer sua sexualidade.
O segundo avanço se configura enquanto uma suposição de que, para pensarmos o masoquismo feminino, próprio desse tipo de literatura, seria importante considerar uma retração de Eros que faz avançar Tânatos, como propõe Quinet (2006). Essas diferenças de gênero nos levam a pensar que existe uma relação entre o que é social e culturalmente esperado de homens e mulheres em seu papel sexual e o que eles fantasiam. Além disso, o artigo de Moyano e Sierra especifica que “o conteúdo das fantasias sexuais costuma ser compatível com as normas e papéis que geralmente são reforçados”. Ou seja, socialmente é mais bem visto que um homem se mostre predisposto para a atividade sexual do que uma mulher, e isso se reflete nas fantasias. O facto de alguém ter fantasias sexuais não é, por si só, um indicador definitivo da sua saúde sexual. Fantasias sexuais são uma parte normal da expressão sexual humana e são comuns em pessoas saudáveis.
Se essas flechas chegassem aos olhos do amante, elas viajariam e ‘furariam’ ou ‘feririam’ seu coração e o sobrecarregariam de desejo e saudade (“doente de amor”). A imagem da “ferida da flecha” às vezes era usada para criar oxímoro e antítese retórica a respeito de seu prazer e dor. O exemplo mais comum é a masturbação, que é o estímulo sexual que uma pessoa dá a si mesma. No passado, utilizava-se o termo autoerotismo para descrever a excitação sexual que ocorre durante o sono, um fenômeno comum em certos estágios do sono. A teoria do autoerotismo nos ensina, no entanto, que a sexualidade não se define primariamente como uma atividade finalizada e adaptada a um relacionamento satisfatório com um parceiro.
Todas as demais práticas sexuais humanas que buscavam o prazer, ou seja, o erotismo mesmo, mas não a reprodução deveria ser localizadas no pólo da perversão e da patologia e deviam ser extintas e controladas por meio de técnicas médicas e jurídicas. Penso que Musil nos fala da sua perplexidade frente ao fato de que como a era da técnica parece vir ao encontro do anseio humano de amortecer qualquer tipo de reação emocional frente à dura realidade da vida e da morte. Depois de algo que talvez mereça o nome de compaixão, a dama vê-se aliviada com a explicação técnica do homem de que os caminhões pesados têm um tempo de frenagem longo demais.
Este estudo pode ser um ponto de partida para pesquisas futuras que busquem compreender melhor a sexualidade feminina na literatura erótica. Além disso, esta escrita pode se tornar relevante no contexto acadêmico e clínico, pois oferece novas perspectivas para o estudo da psicanálise e da literatura. Por consequência, talvez o mais indicado seria denominar esta especificidade de literatura neiko-erótica já que faz prevalecer o regime tensivo, por um lado, e, por outro, conserva seu caráter disruptivo.
Essa trilogia foi inicialmente publicada como uma fanfic – histórias produzidas por fãs, baseadas em livros, filmes, seriados, quadrinhos, dentre outros – da saga Crepúsculo, da romancista americana Stephenie Meyer. James recebeu uma proposta para publicar a fanfic como livro, pela editora The Writer’s Coffee Shop, em 2011. Na mesma esteira, em 2012, Sylvia Day publicou a série Crossfire, na qual agradece a E.L. No Brasil, Tatiana Amaral publicou duas trilogias Função CEO (2013) e O Professor (2015), e outras mais se tornam sucesso nesse meio.
Erotismo
Durante a Idade Média, o gênero evoluiu para uma liberdade cada vez maior (sobretudo na poesia dos goliardos). Ao analisar as diversas obras que têm como tema central ou se inspiram no erotismo, é preciso distinguir as de ficção poética ou narrativa e as que possuem um sentido gnômico ou didático. Por esse motivo, o erotismo tem sido fonte de inspiração constante na literatura e nas artes. Outro dos aspectos mais relevantes pelo discurso em torno do erotismo foi a intenção de delimitar o conceito, diferenciando-o dos outros, como pornografia e obscenidade. A reflexão sobre o erotismo, forma privilegiada das relações interpessoais, nasce com a civilização.
É proprietário da The Awakened Lifestyle, onde usa sua experiência em namoro, atração e dinâmica social para ajudar pessoas em busca de amor. Realiza workshops de namoro internacionalmente, passando por Los Angeles, Londres, Rio de Janeiro, Praga, dentre outros lugares. Seu trabalho já teve destaque no The New York Times, na Humans of New York e na Men’s Health.